smash into you

08/02/2010 por gpoulain

Ninguém pode voltar e começar um novo começo. Mas qualquer um pode começar hoje. E fazer um novo final.

heaven can wait

01/02/2010 por gpoulain

Tenho falado bem mais que o recomendado. Bem mais.

Assumi que dentre minhas várias dificuldades, me complico por ser não ter foco. Empilho um dia no outro, uma pessoa na outra, uma festa na outra e por aí vai. Me perco, enfim.

Tenho alegrias infladas, raivas explosivas, e tristezas corrosivas. As mágoas são grandes também, fermentam. Mas somem.

Aliás, acho que vivi o primeiro dia da semana com tudo tão à flor da pele que agora estou meio anestesiado, sem pensar em nada, sem assumir opinões. Vai ver, é o melhor. Vai ver, não dá mais pra explodir de novo. Ou então, quem sabe, é questão de tempo.

Tenho pensado com enorme frequência sobre a base mais inerente da nossa personalidade – o temperamento. Aquilo que determinou desde os primeiros dias de vida, se você chorava muito, se era tranquilo, se irrita com facilidade, se é nervoso – isso muda? A gente cresce, aprende, trabalha e se molda em valores, comportamentos, pensamentos e tudo mais. Mas talvez o que está lá no fundo está gravado pra sempre e seu instinto age disso. Será mesmo?

Penso nisso porque como nunca tenho trabalhado em uma maior consciência das minhas atitutes, o que já dá alguns resultados. Mas mesmo assim em horas de ação instintiva eu acabo me comportando do mesmo jeito que sempre me comportei e nunca me orgulhei. Será que dá pra controlar mais?

Outro tema complicado: como é a insegurança da pessoa segura?

Assim, explico. Acredito que todo mundo tem um grau mais ou menos parecido de inseguranças. Todo mundo se pergunta no fundo no fundo se é amado, se é good enough, se merecerá as coisas boas na vida. Todo mundo. Mesmo assim, as pessoas se comportam de forma diferente. Tem gente mais cheio de si, mais falante, que se expõe de forma mais direta. Tem as pessoas quase transparentes, ouvintes, observadores, fechadas. No meio desses estereótipos estamos nós todos.

E aí, eu te pergunto: o falante se acha o foda?

Estou ultimamente defendendo a teoria que quanto mais expansivo e out there você é, mais inseguro você vai ser. Não que toda essa expansividade seja só uma máscara para inseguranças não, isso é natural da pessoa normalmente. Eu, por exemplo, falo pelos cotovelos simplesmente por não conseguir ficar calado. Mas e aí? Aí que a pessoa nunca vai ouvir o mesmo nível de feedback que ela joga no mundo. Ela fala muito mais “eu te amos” do que ouve, ela joga muito mais elogios do que recebe, ela aparece pros outros muito mais do que é procurada. Simplesmente porque ela é uma pessoa, digamos, mais barulhenta que as outras.

E aí fica se perguntando, o que afinal é a sua imagem para o mundo. Conclui que se você gosta dela, você falaria.

Ela, afinal, fala sempre que gosta de você.

I though I was a part of your life.

25/01/2010 por gpoulain

“I thought we signed up for the same thing… I thought our relationship was perfectly clear. You are an escape. You’re a break from our normal lives. You’re a parenthesis.”*

A vida é mais fragmentada e segmentada do que nunca. Vivemos em uma era que celebra as múltiplas vidas que podemos ter. Integridade não é mais uma virtude.

Experimente isso. Experimente aquilo. Seja um pouco isso. Um pouco daquilo. Tudo é bom desde que você siga o seu coração. Precisa escapar da “vida real”? Vá e faça!

E nisso as pessoas se esquecem que não vivemos só por nós mesmos. Que existem pessoas ao nosso redor. E na ânsia de nos fazermos felizes “seguimos os nossos corações” e esquecemos que existem outros corações à espera de uma resposta.

E quem já não foi um parênteses na vida de alguém? E que no fundo o que queria era ser parte da vida daquela pessoa?

*do filme Amor sem escalas (Up in the air)

choux pastry heart

24/01/2010 por gpoulain

I was just waiting for your phonecall
When they came along to say
That a rose don’t chase you clear away

You had said I was gamine
But we didnt mean the same thing I think
Broke my choux pastry heart
Guess life’s no picture or postcard

One for sorrow
Two for joy

Sometimes you will lose
Sometimes you lose
Don’ t wanna lose ya
Don’t even own ya
I just wanna stay right here
until never dawns

I was just waiting for your answer
Still, you made your own apologies
I cried so much I had to leave

sobre ser vencido

15/01/2010 por gpoulain

Pediu para sonhar menos.

Ter menos vontades, menos apegos. Pediu pra ser menor. Pediu menos dias felizes. Pediu menos supresas. Pediu para ser homem, ser criança, ser um mosquito que seja, se isso significar sofrer menos.

Sofrer menos. Como as pessoas passam, todas elas, pelo sofrimento? Por coisas grandes, coisas pequenas, coisas completamente esquecíveis, não importa. Todas elas doem.

Não pediu para um maior encontro das coisas. Justiça é uma palavra muito grande, mas talvez seja essa mesma, a palavra. Pedir por isso ia ser pedir demais.

Se perguntou porque é assim. Quase todo mundo nasce, sozinho, para passar o resto da vida tentando ser feliz um pouquinho. E pra ser feliz, tentam ser amados, um pouquinho.

Só que a gente não pode procurar, nem pedir, cobrar, nem nada. Essas coisas vêm no vento, e do mesmo jeito que aparecem, vão embora. Algumas vezes, sem nem saber.

Por isso pediu por um brilho menor na vida.

Coisas menores. Sofrimentos menores.

É melhor.

sometimes

14/01/2010 por gpoulain

Algumas vezes sinto vontade de escrever simplesmente para externar algo que não sei bem ao certo o que é – e por mais que esse algo grite aqui, dentro de mim, se perde nos pensamentos corridos. Já tentei identificar o que poderia ser essa inquietude, esse pleno desejo de unir palavras e dar a elas força.

O mundo talvez nunca tenha me parecido tão distorcido, mas agora sou munido de ferramentas para tomar conta dele – ou pelo menos para dar conta de um pedacinho que seja. Já não me perco mais como antes, nem mesmo desanimo diante de demonstrações impiedosas. Ao contrário, vejo nelas a força que faltava para que tudo fizesse sentido. Por mais que algumas vezes a vontade seja de fugir ou de esconder, o que preciso é de tempo. Não quero mais ter medo, finalmente.

you have to learn to live alone

11/01/2010 por gpoulain

Contagem regressiva: 10, 9, 8. No canto eu assim, meio sozinho, assistindo todo mundo. Não sabia chorava, se batia o pé, pedia para o tempo parar. Não queria isso, de 2009 acabar. 2009 foi incrível e não quero começar tudo diferente. Nem sozinho. Todo mundo se abraçando, todos estão exatamente com as pessoas que queriam estar. Eu não. Olho pros fogos e faço uma lista de 10 nomes que eu queria ali comigo, estão todos longe. Engulo o choro e resolvo esquecer. A cara não engana muito, mas no ano novo todo mundo é obrigado a ser feliz e esperançoso e o mais certo foi fingir um sorriso.

Febre, muita febre. Quase 6 da manhã e eu estou ali, sozinho.

Já virava dia. Corri para a beirada do rio. Fiquei olhando para o céu, já tinha muito tempo que não o fazia. Estava frio, muito frio. Respirei os tons de dourado, rosa, as pessoas felizes. O dia nascendo. A noite começou e terminou com os olhos marejados, eu pensando naqueles que não estavam ali comigo. Mas agora, eu estava feliz. Não sei porque, mas tudo era conforto, sensação de vida bem vivida.

Não consigo explicar como um momento completamente isolado do meu dia me despertou como poucas coisas atualmente. Quantas vezes perdi o sono e procurei sem sucesso uma determinada companhia pra ver o sol nascer – gente que eu tinha assunto e história, e amor profundo, sim. O sol nasceu todos os dias do ano e por algum motivo eu não me dei ao trabalho de assistir, sozinho.

Me senti completo. Por ver o dia nascer.

you don’t know

22/12/2009 por gpoulain

Então. Outro ano chegando. Isso praticamente não faz nenhuma diferença, mas por algum motivo todo mundo leva essa coisa de ano novo a sério demais.

Passei os últimos dias querendo escrever loucamente, e registrar, e falar, e lembrar de tudo que eu estava pensando. Vou tentar com todo meu empenho e a minha cada vez mais escassa capacidade literária falar tudo o que eu quero falar. Algumas coisas já ensaiei uns 5 jeitos diferentes de contar, e descrever – mas eu já sei desde agora que nunca vai ser a mesma coisa. Querendo ou não é uma época que a gente propõe objetivos pra vida, mesmo que não seja pra cumpri-los. Talvez seja porque é uma época que a gente coloca esperanças de tempos melhores – mesmo que a gente se frustre. E a gente se frustra porque? E me pergunto – fiz alguma coisa pra realmente mudar minha vida?

Praticamente não aconteceu nada nos meus últimos dias, mas dentro de mim, aconteceu tudo. Basta lançar um novo olhar ao mundo.

Está lançado. Vem comigo?

*drinks de melancia na minha pia bagunçada – foto do @fabiolamounier

top5 – filmes em 2009

17/12/2009 por gpoulain

#5

Bastardos Inglórios

Este último trabalho de Tarantino toma a liberdade para reescrever os livros de história e reimagina o cinema como uma arma. Estão lá todas as fantásticas marcas que o diretor sempre coloca em seus filmes, sempre com diálogos excelentes. Se esta é ou não é a obra-prima de Tarantino é uma questão subjetiva, mas é inegável que “Bastardos Inglórios” é uma visão bastante peculiar da terra sem lei em que se transforma qualquer guerra. Arrivederci.

#4

500 dias com ela

“O filme a seguir é uma história de ficção. Qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas é mera coincidência. Especialmente você Jenny Beckman. Vaca”.

A frase inicial do filme, nas aspas acima, resume bem a sensação do filme. Muito mais do que uma maneira divertida, criativa e inteligente de contar uma história que poderia ser convencional se contada linearmente, “500 dias com ela” tem uma visão absolutamente honesta do amor, e é isso que importa no final.

#3

Entre os muros da escola

Uma das várias fórmulas narrativas que o cinema usa de tempos em tempos, talvez desde “Ao Mestre, Com Carinho”, é a do “filme de professor”. Aquela fórmula de um professor que tem acima de tudo a vontade de conseguir “domar” uma classe cheia de adolescentes em crise. Mas “Entre os muros da escola” traz isso de uma maneira não convencional. Usando um estilo quase documental, você não vê aqueles típicos clichês da patricinha, bad boy, e mais que isso, alunos complexos em sua formação. E o professor François também é um ser humano, que mesmo tentando ser o “herói” também possui suas falhas.

#2

Sinédoque, Nova York

“everyone is disappointing, the more you know someone”

Essa é uma das primeiras frases do filme “Sinédoque, Nova York”, e sintetiza muito bem o que esperar das pessoas e dos próprios personagens do filme. Fato é que todos os filmes do Charlie Kaufman giram em torno do processo de como a mente humana lida em relação à vida, ao amor, morte, sentimentos. Em alguns de seus filmes isso é bem literal, como em “Quero ser John Malkovitch” ou “Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças”. Ou mesmo de forma mais sutil, como em “Confissões de uma Mente Perigosa”, “Adaptação” e “Natureza Quase Humana”. Fato é que esse uso da psicologia humana está sempre presente em seus filmes. Kaufman joga luz sobre cada um de nós ao compreender que, por mais que sejamos meros figurantes no que diz respeito à humanidade, somos, claro, todos protagonistas de nossas próprias vidas. Difícil, mas fascinante.

#1

Amantes

Pergunto-me: Uma decepção amorosa pode causar tanto transtorno? Em “Amantes”, Leonard (Joaquin Phoenix) começa o filme tentando suicídio, em um sintoma ainda presente da dor que o fim de seu noivado lhe causou alguns anos atrás. Mas logo ele se vê dividido entre duas mulheres: Sandra (Vinessa Shaw), com quem os pais de Leonard sonham que ele se case, e Michelle (Gwyneth Paltrow), sua vizinha e em quem ele encontra uma espécie de alma gêmea.

A beleza do roteiro de “Amantes” provém de uma adaptação livre de “Noites Brancas”, de Dostoiévski, cujo romantismo trágico se faz presente em todo o filme. O que falta a Leonard é encontrar um equilíbrio entre seus quereres. E a quem não falta?

top5 – séries em 2009

16/12/2009 por gpoulain

#5

Weeds

Essa série já foi minha preferida, e continua sendo a série atual com mais personagens queridos por mim. Celia pra mim é a personagem mais legal, nonsense e engraçada desde Karen Walker. E é brilhantemente interpretada por Elizabeth Perkins. Além disso a protagonista Nancy é irresistível e, como sabem, eu também amo a Mary Louise Parker. A série vem caindo nas minhas preferências desde que saiu do condomínio Agrestic (fim da terceira temporada), mas não deixa de ser ótima e com os melhores cliffhangers.

#4

Will & Grace

Tá, eu sei que a série é velha, mas esse ano resolvi fazer maratonas com as primeiras temporadas em DVD assim como já tinha feito com friends. E foi melhor reassistir essa série do que ver muita coisa nova por aí. Cada vez rio mais e mais. Karen Walker vai ficar pra sempre na minha lista de personagens preferidos. Queria aqui fazer uma menção a Trust Me, série do Eric McCormack (o Will de Will & Grace), lançada e cancelada esse ano, que acho que todo publicitário deveria ver. Não está entre as 5 melhores do ano mas vale ver a curta primeira e única temporada.

#3

Damages

Após uma primeira temporada excelente, a série caiu um pouco, mas não deixou de ser sempre surpreendente, cheia de suspense, de ficar louco pelo próximo episódio. As atuações também são impecáveis, principalmente por parte da Glenn Close e do William Hurt.

#2

True Blood

Sei que a primeira temporada é do ano passado, mas só comecei a assisti-la esse ano, e gostei muito das duas temporadas já exibidas. Fui assistir cheio de preconceitos por ser uma série sobre vampiros. E não é que me surpreendi?

#1

Grey’s Anatomy

Desde sua primeira temporada sempre achei essa série incrível. Nunca gostei de séries médicas, passando por ER e House (sim, ninguém entende como eu não gosto MESMO de House). Mas Grey’s sempre me conquistou por seus personagens, por seus roteiros que me fazer chorar quase sempre. Apesar da quarta temporada ter sido fraca, a quinta fez a série voltar a ser o que era a partir do meio da temporada, culminando nos excelentes 100º episódio e no season finale. A sexta chegou com tudo em setembro e fez da série minha preferida esse ano.