when the sun goes down

20/10/2009 por gpoulain

E esse é o fluxo natural da minha vida: quando a carta ou cartão sai com dificuldade é porque a história pereceu.

Muitas vezes preciso sentar em minha mesa para escrever. Sejam cartas para amigos distantes, sejam cartões para amigos próximos. Eu adoro escrever meia dúzia de linhas para parabenizar, elogiar e agradecer. Até costumo falar mais do que deveria. Recheio uma coleção de recados, cartões e cartinhas digna de história perene.

Só que uma hora eu travo. Não que eu não tenha o que escrever. Normalmente tenho. Com certeza vou repetir coisas já ditas, ou reinventar o que todo mundo já sabe de cor. Mas assunto é raro faltar. O problema é quando você se mede. Acha que a pessoa não merece ouvir. Que foi por tudo que você falou que as coisas são hoje como são. E só aparecem lugares comum, cheios de “mas”, “porém”, “apesar” e “no entanto”. Não dá.

Pelo que já vivi, isso é completamente irreversível. Daí a um tempo você até volta a acreditar que tudo deve ser declarado em um papelzinho de 15×20, mas você ainda não consegue.

Porque, é provável, a naturalidade se perdeu para sempre.

x-static process

09/10/2009 por gpoulain

I always wished that I could find someone as beautiful as you, but in the process I forgot that I was special too.

little secrets

07/10/2009 por gpoulain

Sonhos. Enormes. Na maioria das vezes, me faltam. Mas hoje, transbordam.

Querer. Muito. Muito mais do que aquela roupa, ou mesmo a festa do fim de semana. Querer muito que algo se realize.

Medo. Medo de não conseguir, de não ser como eu imaginava, de eu não ser capaz do que imaginava ser. Medo. Enorme. Descrença. Não acreditar, se consolar já de antemão, prender-se a planos B.

Esperança. O que volta a fazer a gente sonhar com isso todos os dias. Antes, obviamente, que o tombo se concretize. Tenho receio de já ter desejado tanto outras coisas, ter tido outros sonhos que, quando me foram concedidos, simplesmente perderam a graça. Não quero ser mal agradecido, de que amanhã vou desgostar e não vou querer mais e isso vai se voltar contra mim, como um karma. Porque dessa vez não vai acontecer.

Não, não. Esse é de verdade. Esse eu quero mesmo. Ia mudar tudo. E não sei perder, como bem já disse aqui. Vai ser horrível.

a love that will never grow old

28/09/2009 por gpoulain

Lavras, 19 de fevereiro de 2003

Guiguiii

Quanto àquele assunto, não precisa ficar assim não! tá certo que eu fiquei chocada quando você falou porque eu nunca imaginava que fosse isso né? Mas nem por isso eu vou deixar de ser sua amiga. Tá doido? Acho que nós somos muito, muito amigos. Te vejo como se fosse da família, e, no fundo, é mesmo.

Quero que você saiba que você é muito importante para mim, te adoro muito. Só não quero que você confunda as coisas, porque isso não dá certo nunca! E não precisa ficar com vergonha porque é uma coisa muito normal de acontecer.

É importante entender a transitoriedade das coisas. De nada adianta eu saber que é assim. Você saber que é assim. Todo mundo saber que é assim. A felicidade está dentro de você.

Tô torcendo pra você achar alguém legal logo porque você tá muito carente!

Conte comigo sempre, tá?

Beijinhos, Lídia.

cartas

Brasília, 15 de junho de 2009

Guigui!

Finalmente arranjei um tempinho pra mandar as notícias… e você nada, né?

A última vez que te vi faz muito tempo! Dá um aperto tão grande não saber quando vou te ver de novo… Nossa, é tão ruim! Mas eu tenho muita esperança que seja em breve. Well, de lá pra cá, como você sabe, muita coisa rolou.

Brasília é uma cidade esquisita, mas é uma cidade legal. Tem gente de todos os cantos, nem o sotaque é definido. É meio nordestino, sei lá. Tem muita gente do Nordeste aqui, nú! O povo também é mais frio, sabe? Aprender a andar aqui é totalmente diferente. Mas agora a gente já tá pegando a manha. O bom é que é tudo reto! Ainda não vi o calor que eles dizem que faz, mas já tem um tempinho que não chove. Brasília é muito bonita, eu achei. O Pontão é mesmo uma delícia, Jota!

E o menino do blog? Um passarinho me contou. Eu não disse que Budapeste era amarela?

Saudades de você. Você quem conversa comigo de madrugada. Você quem me conta suas experiências para que eu abra os olhos. Você que vai e vem, mas sempre está aqui.

Com amor, Lídia.

cartas02

Brasília, 9 de setembro de 2009

Guigui,

Suas palavras são sempre as minhas. E suas palavras sempre me dizem tudo. Queria estar aí para te dar o maior dos abraços. Porque na vida se vão Aidans, Mr. Bigs, Jesses e Logans. Mas eu estou e estarei sempre aqui.

Ávida por dias melhores para você,

Lídia.

why the world is bright with you here?

18/09/2009 por gpoulain

Recentemente escrevi um post sobre os meus amigos, e muitos deles, de certa forma tem partido. A gente fala com tanta naturalidade da saudade – ainda mais quando temos, privilegiados, uma palavra exclusiva só para descrever o sentimento de falta – que talvez fique banalizado, escondendo a saudade verdadeira, um aperto muito raro, quase desesperado, quando a falta é bem maior do que aquela saudadezinha transitória.

Não gosto de falar muito disso porque quase vira uma novela mexicana, a gente não pode reclamar de uma falta senão aquela diante da qual somos completamente impotentes – a morte com certeza inclui-se aí, mas também distâncias intransponíveis, intervalos enormes no tempo (e de espera).

Eu sinto falta de quem foi para Londres, aquela que me ensina a ter alegria. Da que foi para Brasília, a que me trazia incansáveis noites de cartas. Da que está na Itália, e me prometeu em breve uma caixinha de italianos guapos. Do outro que está em São Paulo, que me twitta o dia todo, mas a presença é fundamental, quero o abraço. Sinto falta daquele que foi para o Canadá, que mesmo amigo de tempos recentes, me ensinou como “vikmunizar” com comida japonesa. E também sinto falta daqueles sem tempo, que se deixam levar por horas de trabalhos e estudos, e nunca organizam tempo o suficiente. Daqueles que moram ali ó, mas no máximo trocam palavras ao telefone e internet. Dos que já foram importantes na minha vida, mas que por um motivo ou outro se afastaram. Dos fins. Quero começos.

Mas a saudade acaba acontecendo, talvez sem morte, mas com o quê de impotência, de não ter o que fazer, como resolver a urgência de estar perto. É um vazio sem toque, sem cheiro, sem voz. Porque tudo lembra, tudo entristece, tudo é desculpa para se diminuir diante da saudade. E foi ali, ao chorar escondido no chuveiro, me sentindo completamente patético e mal-agradecido (porque afinal, não há motivos reais pra ficar triste), abracei o ar e pensei comigo: não adianta de nada. Nada adianta.

we can play it safe or play it cool

17/09/2009 por gpoulain

Muitas das grandes decisões da vida estão onde ninguém vê.

É lá que as expectativas se escondem, os sonhos passam, as dúvidas pedem atenção. Muita gente guarda o medo, bem ali ó. Ali, onde ele reina soberano e tudo acontece de acordo com as suas vontades.

Nas coxias tudo é mais verdadeiro. O figurino não está completamente montado e todos podem vomitar as últimas palavras de desespero antes de entrar em cena. Existem as superstições, os votos de sorte – Que tudo dê certo! No fundo, ali ninguém é muito agradável e nem muito bonito, mas as pessoas são muito mais unidas.

O acesso às coxias é permitido a poucos. É um acesso especial, um voto de confiança, e só quem lá entra consegue ver a real essência do espetáculo. Consegue ver as pessoas por trás dos personagens, fora dos cenários e sem um texto inteligentemente decorado. São elas mesmas. Muitos que conheço não querem ver a essência, com medo de perder a magia e a surpresa de tudo.

É. Eu até entendo. Sendo sincero, sou grande admirador do burburinho do backstage. Queria trazê-lo para a boca de cena. Porque eu gosto mesmo, mais do que do ato, é de gente. De verdade, de histórias de verdade, de sentimentos verdadeiros repletos de reciprocidade.

Porque quando as luzes se acendem, a busca é por aplausos. De pé.

bulletproof

04/09/2009 por gpoulain

Depois de despedidas doloridas, trânsito parado, entre notícias e desesperos cá estou eu. De cara no blog. Nás últimas semanas escrevi na minha imaginação muitas páginas sobre assuntos diversos, mas não tive o porque de passar pra tela. Nas muitas esperas de hoje, na falta de sono e na desesperança, pensei em articular sobre mais meia dúzia de assuntos, mas estou cansado e sem vontade.

Também fiquei me questionando qual é, enfim, o propósito do blog e que diabos minha vida pessoal interessaria a qualquer leitor. Por que afinal coloco minhas músicas, falo dos meus medos, sonhos e amores.

Mas aí, ontem a noite, numa longa conversa retrospectiva sobre a minha própria história, com amigos e infinitos, sentei diante dos posts pra tentar entender como tudo aconteceu, nesses pífios seis meses de blog. E eu me lembrei de como é importante escrever para registrar. Continuarei fazendo.

Depois dos Sonhadores, de Bertolucci.

learn something every day

02/09/2009 por gpoulain

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Clique na imagem para aprender algo novo a cada dia.

uninvited

27/08/2009 por gpoulain

Tenho ouvido com certa regularidade que estou pegando pesado. Que escrachei demais. Que coloquei alguém que não fez nada como vilão de uma história que querendo ou não é minha e eu enxergo como a quiser.

Pedidos de censura: apaga isso por favor.

E até comentários desaforados devidamente registrados, pois não adianta se colocar como anônimo se o IP aparece para mim.

Mas o engraçado mesmo é que toda vez que alguém me dá esse tipo de opinião eu já tinha editado e reeditado com mais leveza várias vezes, igual ao Fernando Meirelles em seu filme Ensaio sobre a cegueira - porém sem usar grupos de teste. Nunca tive por objetivo machucar ninguém, e nem ao menos menosprezar ninguém. Eu preciso escrever sobre os meus sentimentos, é mais forte que eu. E não quero expor ninguém.

Pedi alguém bem alheio a minha realidade atual para ler meu blog, e essa pessoa não conseguiu apreender quase nada do que estou sentindo e vivo no momento. No máximo conseguiu falar: Ah, aqui você estava apaixonado. Já aqui estava triste. E só. Sei que muitos dos que lêem conseguem enxergar muito mais. Mas é por me conhecer, por conhecer minha vida e minhas histórias.

Não sei. Fato é que talvez eu realmente precise me expor um pouco menos. E no fundo, minha vontade ultimamente é a de sumir. Tenho sido impulsivo, tenho sido um pouco grosso talvez. Mas é fase.

Mas o que mais me incomoda mesmo é o fato das pessoas julgarem pesado coisas que eu pensei muito antes de escrever. E que reeditei, apaguei.

 

Será que meu julgamento anda assim tão distorcido?

swimming in the flood

25/08/2009 por gpoulain

Pressa. O moço do balcão estava visivelmente nervoso. Andava de um lado para o outro, passando pelas portas, dessas que vão e voltam como aquelas que a gente via em Saloons nos desenhos animados. Suava frio, pedia desculpas e estava preocupado comigo. Me entregou um endereço, escrito em letra trêmula, que ele repetiu continuadamente até que eu sumisse pelo portão: é o seu direito!

Uma senhora ouviu aquela conversa. Logo veio palpitar, se desculpando por tal feito, e deu uma nova sugestão de trajeto. Muitas recomendações, assim como uma tia preocupada. Já na esquina, chamou João e pediu para cuidar das meninas. João quis, imediatamente, se responsabilizar pela nossa segurança e bem estar.

O taxista se preocupou em nos deixar no ponto mais seguro. Falou: “corre, vou lhe ajudar”. Deu dicas não solicitadas e aconselhou muito, muito cuidado. Desejou boa sorte, da janela, e boa noite – é bom também, disse.

A amiga de anos virou as costas. Justificou por deficiências congenitais e outros traumas passados. Quem é abandonado, justifica, pode abandonar quando bem entender. Se afogou em beijos vazios, em murmúrios e desalentos, que a fez esquecer por poucos segundos do amor que se casará com outra.

Aquele moço do balcão, aquela senhora na condução, o João da esquina e o taxista, esses sim nunca estarão sozinhos. Não tinham a menor obrigação em estender a mão, mas foram os que nunca conseguiriam virar o rosto e se ausentar.