best thing I never had

Tenho tido contratempos em ser solteiro. Você pode falar: ser solteiro é um contratempo por si só. Talvez. É uma vida de imprevisibilidades, de venha o que vier e se não vier está bom também. Tudo bem.  Mas eu decidi por essa vida, há algum tempo. E agora estou mais ou menos nessa vida. Não sei quanto mais ou quanto menos, porque nada disso foi estipulado.

Mas e aí que foi uma decisão minha. Determinei que eu ia ser sozinho. Recusei convites, distribuí telefone e falei: me liga no ano que vem.

Homem nenhum vai esperar, ou lembrar.

Mergulhar de cabeça, não posso. Tudo bem que nada garante ninguém nessa vida mas até eu que sou dos mais impulsivos evito bastante romancear qualquer coisa que seja do lado de alguém que eu nem faço idéia que vai estar lá algum dia.

Mas aí me apaixonei. Por um amigo. E aí? Acho que no fundo eu queria estar no maior dos daydreamings mas não estou pela extrema necessidade de me puxar pra realidade.

Perde um pouquinho da graça, tenho que confessar.

Ao mesmo tempo que eu sou solteiro com vinte e bons anos e limites mais flexiveis - temos que ser realistas – eu também estou muito mais rígido na entrega que realmente interessa – o sonho, a paixão, o pular no escuro sem nenhuma garantia.

Há alguns anos atrás eu não hesitaria de procurar esse amigo e falar tudo. Mas hoje não.

É triste. Temos que nos proteger. Tudo bem. Temos que garantir que vai ficar bem se tudo der errado. As pessoas, muitas delas, não vão cuidar da gente. Com o tempo, vamos ficando mais consciente das coisas. A gente sabe que não aguentaria mais sofrer aquilo tudo de novo, que todo mundo já sofreu quando criou expectativas demais.

Mas o meu maior orgulho era pular de cabeça, sempre.

Que pena.

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5 Respostas para “best thing I never had”

  1. Lorena Borges Disse:

    Ainda está em tempo. Melhor se arrepender do que fez do que se arrepender do que deixou de fazer. Ainda mais considerando que a última frase do post foi “que pena”.

  2. Caio Brandão Disse:

    Esse mesmo sentimento me consumiu por praticamente um ano até eu admitir para mim e depois para a pessoa tudo o que eu sentia. Se a amizade mudou? De início foi estranho, afinal não é todo dia que vc diz ou ouve isso. O coração? bom, anda se recompondo. Como? Por mais doloroso que pareça ser, pela primeira vez eu pedi ajuda à própria pessoa para me fazer esquecer pois eu não conseguiria sozinho, assim como sempre fiz e da mesma maneira fechando o meu coração, me endurecendo a arriscar, a sentir e tudo mais.
    Tenha o orgulho de dizer que foi forte de dizer tudo, ele é libertador. Não que sempre encontramos as melhores respostas….mas pelo fato de ser sincero consigo mesmo, algo que vc não pode perder em troca de se tornar apenas mais duro consigo e se limitando cada vez que isso aconteça.
    viva e arrisque. um dia, quando vc menos espera vc acerta. tá, cansei de ouvir isso…todavia dessa vez eu me surpreendi e quem me garante que na seguinte eu não vou me surpreender mais?

  3. Effgen Disse:

    Ô moço, você está exigindo cada vez mais nas respostas, oras… Santa dificuldade em falar, digo escrever sobre isso. Acho que esse é um dos seus posts com mais contradição. “Mas eu decidi por essa vida, há algum tempo. E agora estou mais ou menos nessa vida” (grifos nossos). Como assim Cecília Meirelles (*)?

    Não consigo trazer a máxima de melhor se arrepender do que fez do que daquilo que não fez para a MINHA VIDA. Mas acho que sua amiga acima (L.Borges) está certa. Pelo “pena” do final bem como pelo fato de que as coisas já não estão satisfatórias, quais sejam, ficar solteirão! Tudo isso com base no seu próprio prisma… A verdade é que nunca haverá garantia. Decisões involuntárias na nossa vida nos levam a ter decisões voluntárias é claro, mas isso sempre para determinar o que nos agrega. Tempos atrás, bem atrás, comecei a pensar sobre essa coisa de se lançar de cabeça. Será que ela representa: uma prova de extrema dedicação? Grandeza de sentimento? Desprendimento? Mas aqui, e como fica a cabeça de quem banca a cama elástica na nossa vida conjugal? O que a gente espera dela? Qual o limite dela? Ela esteve desempenhando bem ou eu forçei o “limite” nesse jump-jump?

    Mas enfim, creio que as coisas devem ser mais leves e mais simples. Ao contrário do que todos ao meu redor pensam, penso ser bom estar solteiro. E o momento de mudar isso, assim com mudou quando se tornou solteiro convicto é seu. Basta lembrar (mais uma vez) que ““Qui ne risque rien n’a riem”, observou o diabo, desviando para o francês, como é de seu costume”. Mary McCarthy.

    (*) “Quem sobe nos ares não fica no chão,
    quem fica no chão não sobe nos ares.
    É uma grande pena que não se possa estar
    ao mesmo tempo nos dois lugares!”

  4. Effgen Disse:

    Em tempo: será que SJParker responde?

    http://splashmeadouble.tumblr.com/post/6464266178

    rs

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