amores finitos

Tenho falado muito, em vários posts, o quanto ando cético em relação ao amor, ao se entregar. E fui ao cinema assistir um filme que achei que só iria casar com o que tenho pensado sobre o tema: Blue Valentine.

Já falei aqui no blog que não acredito em almas gêmeas. Acredito que muita gente tem não só um, mas alguns pares perfeitos ao longo da vida. O surgimento de um novo não necessariamente rotula o antigo como uma escolha “errada” ou “pior”. Os amores talvez sejam mesmo cada vez maiores, a gente talvez realmente ame muito mais do que antes, e isso deve servir muito mais como estímulo para tentar novamente (quando acaba) do que pra diminuir as nossas experiências (as mais preciosas).

Acho bem errado um pensamento que vejo cada vez mais na cabeça das pessoas: “minha prioridade é ser feliz”. Não que eu ache o pensamento em si errado, mas tudo o que vem junto dele. As pessoas não se esforçam numa relação, se entregam à paixão (que muitas vezes também chamam de forma errada de amor) e acham que isso basta. E quando começa a dar errado, é só separar, já que está sendo tão infeliz. Quando se está em uma relação, tem que se pensar a dois. Se um quer ir em tal lugar, não é simplesmente o outro falar: pode ir. É preciso fazer esforços.

Observei algumas coisas no filme que eu vejo muito: em certa cena, logo no início do filme, Cindy encontra seu cachorro morto. E a primeira coisa que o marido fala: eu disse que era para manter o portão fechado! E eu me pergunto: Adianta falar isso nessa hora? O cachorro não vai voltar a viver. É ampliar o sofrimento. Quantas vezes já me falaram “I told you so” e o meu sentimento na hora sempre foi de fúria em relação a pessoa. E acho que é em pequenas coisas assim que um amor vai minando.

Perdoem meu coração, mas eu não consigo entrar numa relação pensando: “se der errado separa”. Para mim é preciso estar atento ao que se fala. É fazer, mas fazer com boa vontade, nunca cumprir só pra constar. Esquecer ultimatos. Pedir com cuidado. Recuar. Esperar. Não insistir.

Aprender a falar sinto muito e saber onde estão os limites. Não é fácil. Mas não sinto que seja impossível. Sei que chega uma hora em que é inevitável o término, e que talvez ele seja melhor. No fundo eu penso que os amores são finitos mesmo. Só acho que estamos todos cômodos demais e talvez por isso eles sejam cada dia menos duradouros.

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2 Respostas para “amores finitos”

  1. Adriano Disse:

    A parte do cachorro foi a que mais me afetou.

    Concordo que boa parte das pessoas não se esforça mais para fazer uma relação ser boa. Mas também acho que, em alguns casos, não há mais nada a ser feito (como o caso do filme, pra mim).

    Deus sabe que eu me esforcei pra ca**lho na última relação, mas chegou uma hora em que não adiantava mais.

  2. Effgen Disse:

    Ei Gui. Preliminarmente vou reiterar que eu escrevi no post que menciona a canção da Brandy por duas vezes e nem aparece. Quando me respondeu que os dois estavam lá deve estar se referindo ao anterior, enfim… depois tento ver o que tinha escrito e me re-inspiro.

    Acho Blue Valentine dos melhores – senão o melhor – filme que vi esse ano. Vi faz um tempinho e gosto de tudo, da arte, da trilha (isso nunca é novidade no meu caso) até da eterna cara-de-chorona da M. Willians e da estória. Acho o filme incômodo na medida. Tenho aflição só de pensar em algumas cenas, pode ser que eu o reveja no cinema agora que estreou.Também acredito que “a gente talvez realmente ame muito mais do que antes, e isso deve servir muito mais como estímulo para tentar novamente (quando acaba) do que pra diminuir as nossas experiências (as mais preciosas)”. Não sei se pode se “amar mais”, mas sei que pode se amar diferente. A medida dessas coisas sempre carregam consigo valores e acontecimentos de uma determinada época da sua vida e enfim, valores e todo o resto mudam também. Como disse anteriormente, acho que apostar na solterice apenas vale quando isso serve de tempo sabático para você mesmo e mesmo sentindo falta de alguém do seu lado, diariamente avalia e chega a conclulsão que é melhor assim, melhor para você. Talvez auto-conhecimento seja uma coisa difícil e mais difícil para algumas pessoas, como é o meu caso. Por isso a visão diatanciada da coisa.

    E como disse antes “comecei a pensar sobre essa coisa de se lançar de cabeça. Será que ela representa: uma prova de extrema dedicação? Grandeza de sentimento? Desprendimento? Mas aqui, e como fica a cabeça de quem banca a cama elástica na nossa vida conjugal?” e por isso super desaprovo a afirmação de que “minha prioridade é ser feliz”. Dependendo de como se enxerga a vida e o filme você poderia dizer que “a coisa começou errada desde o começo” e ou: “olha, duas pessoas estão apostando na felicidade, DANDO UM CHANCE PARA A FELICIDADE”. Enfim, uma e outra estão longe de serem respostas absolutas para esse assunto.

    “Não desejo mais ser feliz, e sim apenas estar consciente”. Albert Camus.

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